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Conferência "A hecatombe da guerra: Impactos na saúde, demografia e pensamento contemporâneo (séculos XIX-XXI)"
Lisboa
FCSH/NOVA
Conferência Internacional
19 e 20 de Junho de 2017

Esta conferência, organizada pelo IHC, pretende abrir o debate historiográfico numa temática ainda pouco explorada, salientando a situação vivida por países nem sempre preponderantes nos conflitos bélicos.

Desde o século XIX até aos nossos dias várias guerras têm marcado a História, cujos efeitos ainda estão bem presentes na memória colectiva. Os diferentes conflitos armados geraram impactos directos na saúde dos militares, mas também dos civis, nomeadamente das famílias que ficaram na retaguarda. Se por um lado os conflitos bélicos causaram baixas consideráveis, por outro, os feridos, os inválidos e os doentes tiveram de regressar às suas casas, tentando reintegrar-se na sociedade civil. Por vezes, inconscientemente, transmitiram às famílias doenças contraídas nos campos de batalha. Além disso, as guerras modificaram as condições materiais e morais, com consequências na produção agrícola, industrial e comercial, bem como na saúde pública e nos comportamentos das populações.

Este congresso tem por objectivo contribuir para uma reflexão aprofundada sobre as consequências das guerras na saúde das populações civis e militares e os efeitos demográficas daí decorrentes. Qual terá sido a evolução da mortalidade militar e civil, incluindo a mortalidade infantil, durante e após um conflito armado? Terá este causado desequilíbrios na distribuição sexos, na composição da estrutura etária da população ou até no aceleramento do envelhecimento demográfico? De que forma foi a fecundidade afectada? Alguns estudos mencionam, no pós-guerra, o aumento do número de divórcios e da separação de casais, enquanto outros insistem na rápida recuperação do mercado matrimonial. Então como reagem, por exemplo, as noivas que ficaram por casar ou as viúvas de guerra?

Sabemos que o mesmo conflito produziu consequências demográficas dissemelhantes consoante as nações beligerantes. Torna-se, por isso, fundamental a promoção de estudos comparativos entre os países e até entre regiões do mesmo Estado. Podemos ainda questionar-nos como reagiram as sociedades face aos cataclismos demográficos, designadamente através da ampliação e recomposição do mercado matrimonial.

Nos períodos de pós-guerra, no âmbito da saúde desenvolvem-se regularmente acções, quer públicas, quer privadas. Estas passaram, por exemplo, pela fundação de centros hospitalares para acolher feridos ou de lares para os órfãos de guerra, a criação de lotarias especiais, ou de múltiplos eventos para angariar fundos para ajudar os veteranos doentes e as suas famílias. Por outro lado, um corpo legislativo foi sendo criado para proteger os inválidos de guerra, numa tentativa de reintegração na sociedade civil. Como responderam as autoridades de diferentes países face às consequências de um conflito bélico na saúde e na demografia? Os poderes centrais ou as autoridades locais tentaram agir face às alterações demográficas? Como foi o pensamento contemporâneo moldados pelos Estados e a opinião pública?

Sem se focalizar apenas nas duas guerras mundiais, considerando que outros conflitos originaram impactos relevantes na demografia, saúde e pensamento contemporâneo, esta conferência pretende abrir o debate historiográfico nesta temática ainda pouco explorada, salientando igualmente a situação vivida por países nem sempre preponderantes nos conflitos bélicos.


PROGRAMA COMPLETO

 

Conferência de Abertura:

José Miguel Sardica (Faculdade de Ciências Humanas da UCP): From innocence to harshness: the civilizational significance of WWI

 

Conferência de Encerramento:

Ioan Bolovan (Babeş - Bolyai University; Romanian Academy): War in the 19th - 20th centuries and its effects: A necessary evil?


 

Inscrição:

10,00 € – estudantes
20,00 € – outros investigadores

 

Comissão Organizadora:

Helena da Silva (IHC-FCSH/ NOVA, GRIC-Université du Havre)
Paulo Teodoro de Matos (CHAM-FCSH/ NOVA)

 

Comissão Científica:

Ana Paula Pires (IHC-FCSH/NOVA, Stanford University)
Antoinette Fauve-Chamoux (EHESS-CNRS)
Diego Ramiro Fariñas (CSIC)
Helena da Silva (IHC-FCSH/NOVA, GRIC-Université du Havre)
Ioan Bolovan (Babeş-Bolyai University)
Luís Andrade (CHAM-FCSH/NOVA)
Paulo Teodoro de Matos (CHAM-FCSH/NOVA)

 

PÁGINA OFICIAL DA CONFERÊNCIA